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McDonalds assume funções da Junta Freguesia da Glória

 Junta de Freguesia da Glória, Aveiro, substitui a sua ação social por candidaturas a programas da McDonalds. Isto depois de vender, em condições duvidosas, um terreno seu à multinacional do hamburguer.

O executivo da Glória anunciou ontem quinta-feira, na reunião da Assembleia de Freguesia a apresentação duma candidatura da JF à multinacional McDonalds para apoio social. O seu presidente Fernando Marques, interpelado pelo deputado do Bloco de Esquerda, explicou que o objectivo é construir um balneário público que permita a satisfação das necessidades de higiene diária dos cidadãos mais carenciados da freguesia.
 
O responsável pela apresentação do Orçamento da Junta para 2013 assumiu que assim que foi realizada a escritura da venda do terreno público onde o restaurante se vai instalar, foi-lhe dito que a Junta já se encontrava em posição preferencial para entrar na parte social da empresa.
 
É evidente a promiscuidade entre esta candidatura à McDonalds e o anúncio da instalação de um restaurante da empresa na freguesia, a poucos metros duma escola do ensino básico, ao lado da nova sede em contrução da Junta. Recorde-se aliás que foi a venda desse terreno municipal a uma imobiliária para a construção do referido restaurante que permitiu passar por cima da trapalhada do financiamento da construção da nova sede.
 
O Bloco de Esquerda considera que os objectivos social são demasiado importantes para estarem dependente duma candidatura ao programa arbitrário duma multinacional de fastfood. O BE condena a falta de transparência e o negócio obscuro da Junta de Freguesia da Glória.
 
O Bloco de Esquerda condena veemente que se permita a abertura de um restaurante de fastfood perto duma escola, pondo definitivamente em causa o equilíbrio alimentar da comunidade estudantil e potenciando, claramente, os problemas de obesidade infantil. Condena também que a venda dum terreno público em área nobre da cidade seja moeda de troca para atingir um incerto objectivo social.
 
A situação de crise que o país vive actualmente necessita duma resposta social directa do Poder Político, e por isso o Bloco de Esquerda exige que os Orçamentos respondam diretamente a esta necessidade, prevendo uma maior verba destinada à acção social. Em vez disso, a direita opta por negociar nas costas dos cidadãos, de forma a tentar disfarçar aquilo que é indisfarçável: a emergência social.
 
Na reunião da Assembleia de Freguesia foi aprovado o orçamento para 2013 com os votos favoráveis do PSD, PS e CDS e o voto contra do Bloco de Esquerda.