Aveiro: "a promiscuidade entre política e futebol tem sido um buraco negro para milhões de euros"

Foto: Diário de Aveiro/Paulo Ramos
Foto: Diário de Aveiro/Paulo Ramos

Nelson Peralta denunciou a promiscuidade do Triângulo das Bermudas Autárquico -política, futebol e especulação imobiliário - existente em Aveiro e que se transformou num buraco negro por onde desaparecem milhões de euros do erário público. O candidato quer romper com este ciclo e colocar o interesse público como prioridade.

O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Aveiro denunciou a promiscuidade entre poder público, futebol e especulação imobiliária, um autêntico “buraco negro, sem fundo, onde milhões e milhões de euros de dinheiros públicos desaparecem, sem qualquer correspondência com o interesse público, com o interesse das populações”. As declarações decorreram em conferência de imprensa junto à sede da CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro), presidida por Ribau Esteves, a propósito da entrega de 38 mil euros por parte desta entidade ao Beira-Mar em troca de lugares de camarote “prestige” e estacionamento “vip”.

O bloquista defendeu a necessidade de anulação do acordo. “O BE quer uma gestão ao serviço de todos e não uma gestão ao serviço do interesse de poucos, sublinhou acrescentando que o “tempo da ‘gestão gourmet’ com camarotes 'prestige' e estacionamento 'vip' de Ribau Esteves chegou ao fim”.

Nelson Peralta não deixou de fora outros exemplos do “Triângulo das Bermudas Autárquico”: a venda do terreno das piscinas, o centro comercial multiusos aprovado para a zona do estádio e o protocolo original do estádio.

“Um caso que confirma ter sido a regra e que é preciso quebrar”

Este financiamento ao Beira-Mar em investigação judicial “não é caso único” lembra Nelson Peralta, referindo a venda das piscinas pela “calada da noite” por um preço, muito inferior ao real, e revendido num espaço de minutos pelo dobro. O candidato referiu ainda a aprovação de um centro comercial multiusos, para envolvente do estádio municipal, pouco tempo após a chegada do especulador da SAD do clube a Aveiro.

O “protocolo original” do estádio, estabelecido entre a Câmara, na altura com Eduardo Feio na altura Vice-Presidente da autarquia e hoje candidato do PS não foi esquecido. Nesse tempo a autarquia decidiu ceder gratuitamente o estádio ao Beira-Mar para imediatamente a seguir alugar todos os camarotes por 500 mil euros/ano. “Meio milhão de euros todos os anos para alugar aquilo que já era da autarquia”.

A porta giratória da promiscuidade

O candidato bloquista não poupou a “porta giratória” entre os órgãos sociais e diretivos do clube e a Câmara e Assembleia Municipal. Ao longo dos anos tem-se assistido à alternância entre cargos públicos e cargos no clube, ou até desempenho simultâneo de funções. “Quem faz acordos, quem faz negócios, quem faz protocolos de um dos lados, acaba inevitavelmente a ir para o outro, a negociar exatamente aquilo que acordou antes na outra parte”. Esta ligação estreita entre o poder público e um clube de futebol é uma relação perniciosa que “prejudica a transparência, prejudica as finanças públicas e prejudica até o próprio clube”.

O Bloco de Esquerda quer cortar com esta prática, assegurou. “São necessários para Aveiro autarcas que tenham como prioridade a defesa do interesse público e não o mau exemplo do desperdício de dinheiros que tanta falta faria na ação social, na repavimentação de estradas, na definição de prioridades para Aveiro”. Tem sido um “sorvedouro de milhões e milhões de euros, na busca incessante de ganhar votos. Consideramos que é completamente inadmissível o que tem ocorrido até hoje em Aveiro” rematou.